O primeiro dia de SXSW é sempre inspirador e frustrante: a gente faz tanta coisa legal, que começa a se empolgar em querer fazer tudo, e infelizmente ainda não inventaram maneiras de estar em dois lugares ao mesmo tempo.


Mas vamos falar só da parte inspiradora: começamos o dia com uma experiência em VR do filme a Múmia, um novo longa que estreia em junho com Tom Cruise. O filme tem uma cena de gravidade zero perfeita para uma experiência imersiva, e foi um dos melhores projetos de realidade virtual que eu participei até agora. Com a primeira cadeira de full motion criada para cinema, um óculos e um headphone, era como se nós conseguíssemos sentir as cenas. Me fez indagar sobre como essa tecnologia vai impactar o mundo do cinema e se aguentaríamos assistir um filme todo dessa maneira - particularmente eu saí bem enjoada, mas também não gosto tanto de filmes 3D e crianças adoram. Pra minha sorte, uma palestra discutirá exatamente sobre isso essa semana.


Logo depois, fomos para um painel que contava com Pete Cashmore (Mashable), Bonnie

 
                                                                 


Pan (Endemol) e Thomas Hughes (Lionsgate), e falava sobre a pergunta que não quer calar: qual será o futuro do entretenimento com essas mudanças tão rápidas na tecnologia? Falou-se muito sobre o YouTube TV, Netflix, Hulu e também sobre a TV tradicional. Cashmore afirmou que pela sua experiência, o tamanho da tela não importa: as pessoas vão atrás de bom conteúdo. E com os conteúdos originais dessas novas plataformas, o nível do que é considerado bom está cada vez mais alto.


Hora de almoçar e em seguida assistir outra palestra chamada “Como a internet das coisas sabe como você se sente". Pamela Pavlisvak, contou como o mercado de apps e wearables para a leitura de emoções está cada vez robusto. Já estão disponíveis bots que fazem o papel de terapeuta, dando dicas financeiras ou até mesmo sobre o seu relacionamento com alguém. As perguntas que ficam são: até onde estamos dispostos a sacrificar a nossa privacidade e até onde conseguimos criar laços com as máquinas? Mas devo admitir que o ponto alto da palestra foi a apropriação do meme da Nazaré! #gobrasil

 
 
                                                               
 
 
 
Pra finalizar o dia, um painel com uma discussão polêmica e muito atual sobre biometria e vigilância, onde um diretor executivo da área de tecnologia do FBI, um fundador de uma empresa de reconhecimento facial e um jornalista estudioso da área de informação, falaram muito sobre ética e o papel do governo e das empresas. “O fato de você ser bom em biometria, não significa que você seja bom em segurança da informação” - basicamente, a falta de regulamentação faz com que a noção de privacidade que temos não seja a verdadeira realidade com a quantidade de aplicativos que usamos.


E acha que acabou? Nada disso! Às 18h não tinha mais palestras, mas sempre tem algo bacana acontecendo pela cidade. Dessa vez fomos na casa da Intel, onde estão acontecendo algumas demonstrações de uso de inteligência artificial, como um computador que adivinha sua idade ao fazer reconhecimento facial e um outro que reconhece qualquer objeto que você colocar em sua frente.


Realidade virtual, futuro do entretenimento, internet das coisas, privacidade e inteligência artificial. Tá bom pro primeiro dia né? Só ficou faltando mesmo uma palestra pra ensinar como criar um clone pra conseguir ver tudo o que queremos até o fim do festival! Mas tudo bem, estamos aprendendo a lidar com o #FOMO por aqui. Amanhã tem mais!




Março 2017