Vivemos tempos interessantes, evitando qualificar, afinal sempre temos a turma dos pessimistas e a dos otimistas, e independente de qual lado ou humor você se identifica, acredito que todos concordam que as palavras "resultado" ou "performance" ganharam muito mais peso nas discussões de negócios nos últimos 2 anos.
 
Na abertura do evento o Nizan Guanaes, com seu habitual magnetismo, foi bastante correto ao pregar a evolução e convivência entre meios e diferentes tipos de serviços (entenda-se aqui a chegada das Consultorias ao mundo de comunicação). Historicamente nenhum canal aniquilou outro, mas sim provocou evoluções, e quem ganhou sempre foi a audiência. Os que não conseguiram evoluir modelos, desapareceram, mas geralmente por inércia ou má gestão.
 
Uma pesquisa recente feita pela ComScore em conjunto com o IAB aponta que o investimento digital deve dobrar em 2017 atingindo históricos 30% do total do investimento de mídia – refletindo sobre o dado e hipótese dessa aceleração, acredito que decorre da progressiva "digitalização" de outros meios como OOH, Jornais, Revistas, Radios ou TV, somado ao crescimento do investimento em mídias digitais. Essa hipótese me parece bastante razoável e assim o número faz bastante sentido, reforçando que ninguém mata ninguém, mas provoca uma evolução saudável.
 
Três painéis chamaram mais minha atenção:
 
Brand Awareness ou Performance?” provocou muitas conversas paralelas pelo auditório e desejos de saltar no palco para opinar a respeito (eu pelo menos tive). Não acredito em performance sem branding – num mundo líquido, com abundância de produtos e serviços, a construção de marca é pilar fundamental para qualquer início de projeto – sem estabelecer proposta ou propósito (prefiro) e criar desejo ou atender uma necessidade (prefiro), fica difícil falar em resultado, afinal estamos falando do começo (marca) e final (performance ou conversão) do funil de comunicação. Uma inversão levaria a uma erosão de valor, afinal, porque pagar U$ 1M por uma Ferrari se um Fiat 147 me leva para o mesmo lugar?
 
Fake News vs Brand Safety” é um tema quentíssimo, que teve até a oferta do Marcio Garcez do Google em participar da discussão, muito bem conduzida pela equipe do UOL e o Igor Puga do Santander. Vivemos num mundo de baixa tolerância e sensibilidades afloradas, o que deixa as marcas numa posição desconfortável de participar mais ativamente de conversas geradas por seus consumidores. Por outro lado temos pessoas muito empoderadas pelas mídias sociais, que falam e opinam a vontade e, por vezes criam boatos que acabam confundidos com fatos, gerando enormes danos a imagens e reputações. Credibilidade, contexto e origem de conteúdo devem ter maior peso – grandes distribuidores de notícias tem papel fundamental em buscar verificar a origem das informações. Tema que ainda merece muita discussão.
 
Dois painéis trataram sobre mensuração, tema também bastante debatido no mercado há alguns anos e que cresce de importância a medida que investimentos digitais aumentam. Se na TV o GRP/TRP são métricas aceitas e respeitadas, apesar de não considerarem a dispersão em um mundo multi-telas, a quantidade de métricas oferecidas pelos veículos digitais também não facilitam a vida de quem quer comparar eficácia e ajustar seu mix de mídia. Viewability segue como uma bandeira importante, afinal o principio básico é comparar meios a partir de um OTS (oppotunity to see) equivalente. Esse tema ainda carece de mais discussão, especialmente num modelo de crescimento de investimento digital e necessidade de entendimento de eficiência e eficácia dessa mídia.
 
Acredito que os bons eventos provocam boas reflexões, têm público qualificado e qualidade de conteúdo. Vivemos em tempos onde o importante não é ter todas as respostas, mas sim conseguir navegar por meio de tantos estímulos e informações, fazendo boas perguntas e, nesse ponto, o evento foi muito bom, inflamando discussões importantes para a evolução do nosso mercado.